Julho 18, 2005
Esse texto eu escrevi para uma edição especial da Revista dos Curiosos, numa seção chamada De A a Z.Como o projeto não vingou e eu não tenho mais o que fazer com isso, então aqui vai:
De A à Z
Bem vindos a Springfield
Conheça um pouco mais sobre o mundo dos Simpsons, os personagens mais ácidos dos desenhos animados.
A história dos Simpsons começou em 1987, como um curta metragem dentro de um programa de humor num canal a cabo. A recepção do público foi tão boa que outros curtas foram feitos, até o desenho ganhar um horário próprio e mais tempo de duração num canal aberto. A estréia oficial da série aconteceu em 1990.
Bobo - É o nome do ursinho de pelúcia que o senhor Burns perdeu quando era criança, e só foi encontrado décadas depois pelos Simpsons. Ele considera o brinquedo velho o seu bem mais valioso.
Canhotos - O criador dos Simpsons, Matt Groening é canhoto, e transformou isso numa caracteristica do desenho. Muitos personagens são canhotos, e inclusive um deles, Ned Flanders, é dono da loja de produtos para canhotos de Springfield.
Discos - Os Simpsons já gravaram 4 discos: Songs in the key of Springfield, Go simpsonic with the Simpsons, The Simpsons sing the Blues e o The yellow album.
Elvis - No episódio Krusty vai para a cadeia, um pequeno documentário sobre sua vida diz que ele iniciou a carreira como mímico nas ruas de Tupelo, no Mississipi , mesma cidade em que Elvis iniciou a sua carreira.
Fama - Bart Simpson foi eleito em uma pesquisa da revista americana Time como uma das vinte personalidades mais influentes da década de 90.
Gay - Apesar de nunca ser mostrado de forma clara no desenho, nenhum fã dos Simpsons tem dúvidas em relação a sexualidade do ajudante do senhor Burns, Wailon Smithers. Outros personagens gays já apareceram no desenho, como o colecionador John, que ensinou Homer a não ser intolerante com homossexuais.
Holandês Fritador - É o nome do restaurante que Homer quase levou a falência na noite Tudo o que você conseguir comer pelo preço de um jantar. Desse dia em diante, foi pendurada uma foto de Homer no local, com o titulo O poço sem fundo, o mais cruel erro da natureza.
Imagens subliminares? - Um dos boatos mais estranhos sobre os Simpsons é o de que a equipe de produção tem a mania de colocar no meio de um frame a imagem do Homer pelado, e com a alta velocidade de animação, não conseguimos perceber essa imagem.
Jebediah Obadiah Zachariah Springfield - É o nome do fundador da cidade, e uma estátua foi construida em sua homenagem na praça central. Todos acreditam que ele foi um grande héroi desbravador, mas na verdade ele era um pirata que mudou de identidade para não ser preso.
Kwik-E-Mart - É o nome da lojinha de conveniência de Springfield, e o grande orgulho do seu dono, o indiano Apu.
Lapidários - É o nome de uma antiga sociedade secreta que conhece todos os grandes segredos da história, como quem matou Kennedy, e se existe vida fora da Terra. Seus membros são as pessoas mais influentes de Springfield, como o Senhor Burns, o Prefeito e o Juiz. A ordem quase foi destruida por Homer Simpson.
Morte - Ao contrário da maioria dos desenhos animados americanos, os personagens podem morrer nos Simpsons. Entre os já falecidos estão Bola de Neve I (a primeira gata de Lisa), Gengivas Sangrentas (o saxofonista ídolo de Lisa) e Maude Flanders (a esposa de Ned).
Não concordo! - Matt Groening pediu que seu nome fosse retirado dos créditos do episódio Nasce Burns, pois não concordou com os resultados finais.
Os inimigos - Homer Simpson escreveu uma lista negra com o nome de todos os seus inimigos. Entre eles estão o Imposto de Renda, Vovô Simpson, o comediante Billy Cristal, Charles Darwin, Deus e a Lei da Gravidade.
Papai - Barney, o bêbado da cidade e melhor amigo de Homer, já conseguiu alguns trocados vendendo seu esperma para o Banco de Semên de Springfield.
Quatro é o número de dedos em cada mão de todos os personagens do desenho.
Radioatividade - A Usina Nuclear de Springfield, de propriedade do senhor Burns, é um fiasco quando o assunto é ecologia. O lixo nuclear da usina já criou um esquilo mutante, e o simpatico Blinky, o peixe de 3 olhos.
Springfield - O nome da cidade do desenho foi escolhido por ser um dos nomes mais comuns de cidades nos Estados Unidos. Existem ao todo 121 Springfields em território americano.
Thompsons - Foi o primeiro nome escolhido para o desenho, ainda na fase de criação.
U Wanna B Hair E? - (Você quer ser cabeludo?) É o nome de um dos muitos produtos contra a calvicie que Homer usa frequentemente no desenho.
Veteranos - O diretor da escola de Springfield, Seymour Skinner, é um veterano da Guerra do Vietnã. Já o Vovô Simpson é um veterano altamente condecorado da Segunda Guerra, onde lutou ao lado do Senhor Burns.
Wally - O personagem da série de livros Onde está Wally? apareceu numa ponta, no meio da multidão, num episódio dos Simpsons em que toda a cidade se esconde dentro do abrigo nuclear de Ned Flanders.
Xadrez - Vários personagens do desenho já foram para a cadeia, como Side Show Bob (o ajudante de Krusty), Marge Simpson (2 vezes), e o campeão absoluto, Homer (6 vezes, até a última contagem).
Yellow - A capa do mais recente disco lançado pelos Simpsons, o The yellow album, é uma homenagem ao Sargent Peppers Lonely Heart Club Band dos Beatles.
Zed Krustofski - O Rabino Krustofski é uma importante figura religiosa de Springfield, que tem como grande desgosto o fato do seu filho Herschel ter escolhido a carreira de palhaço, e mudado seu nome para Krusty.
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1:08 AM
Junho 13, 2005
Mondo Clipping
Aproveitando o Dia dos Namorados e a minha falta de tempo em produzir alguma coisa, aqui vai um pequeno texto copiado para nos fazer refletir sobre o amor, lembrando que ele existe em vários niveis e formas...
Há bilhões de pessoas no mundo, mas apenas algumas delas são essenciais em seu coração. Algumas tornam o Universo especial para você, e dão sentido à sua própria vida. Algumas, serão lembradas até seus últimos dias na Terra. Algumas, são importantes para você apenas por estarem aqui, por existirem.
Você não se importa com a roupa que elas vestem, e elas não se importam com a sua. Você é parte essencial do quebra cabeças da vida delas. Essas pessoas, por seu lado, são parte essencial do quebra-cabeças da sua vida. Você não tem interesse na conta bancária delas, e elas não têm interesse na sua.
Você vê através delas, por isso as rugas não importam. O tempo, não importa. Para elas, você é aquilo que existe em seu interior. São poucas - muito poucas - essas pessoas especiais.
É dificil explicar como alguém se torna essencial na pintura da sua existência, mas você sabe que o tecido que define sua posição no mundo seria incompleto sem essas pessoas. Você pode pensar nelas agora, porque são aquelas que parecem ter marcado encontro com você antes mesmo do nascimento. Ainda que seja apenas uma impressão, é um sentimento que as destaca do mundo.
Talvez sejam filhos, talvez sejam pais. Talvez um amor. Talvez alguém improvável. Se são pessoas muito especiais, e você quer que continuem a ser especiais, trate-as como pessoas muito especiais. Mantenha sua palavra para com elas. Nas menores promessas, dita e não ditas.
Drible o mundo para estar com elas. Nos dias de sol. Nos dias de chuva. Não minta para elas. São parte de você.
O que disser que vai fazer para elas, faça. Faça sempre. Quem você ama, deve ser tratado como sendo alguém que você ama. Não trate essas poucas pessoas como qualquer um. Como diz Irma Knutz: "Trate quem você ama como uma pessoa qualquer e você será uma pessoa qualquer para quem você ama. E ela estará bem longe de você."
Não acontecerá do dia para a noite. Mas, assim como uma planta vai secando aos poucos, se não receber luz e água, aquilo que torna aquela pessoa parte essencial de sua vida desaparece, se o tratamento, entre você e ela, for o mesmo dado ao resto do planeta.
Você pode ter muitos amigos, mas não estou falando deles. Você sabe exatamente de quem eu falo. Só você sabe. Trate quem você ama como uma pessoa qualquer e você será uma pessoa qualquer para quem você ama. Bem longe de você.
Aldo Novak, autor do texto, é coach & conferencista.
Diretor da Academia Novak do Brasil
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12:22 AM
Maio 16, 2005
O elogio ao erro
Uma professora de artes com quem estudei no segundo grau tinha uma frase que ela costumava usar sempre que um aluno aparecia pra entregar algum trabalho e já começava se desculpando e explicando que aquela mancha marrom no meio do quadro tinha sido um acidente envolvendo uma xicara de café.
Ela olhava pra cara do sujeito e dizia com a maior naturalidade que se ele não tivesse dito que aquilo tinha sido um acidente ela jamais teria desconfiado, e ainda teria perguntado como ele conseguiu um efeito de cor tão interessante. No fim, ela completava do jeito mais malandro possivel:
"Não é defeito, é efeito".
Essa frase sempre me deixou intrigado, por me fazer pensar sobre a natureza do amor. Porque se apaixonar pelas qualidades de alguém não é tarefa das mais dificeis, mas enxergar os defeitos de uma pessoa como detalhes charmosos é que são elas.
Certa vez conheci uma garota que tinha pequenas marcas na parte superior das coxas, não era nada evidente, mas o bastante pra deixar a menina insegura ao tirar a roupa na frente de um cara pela primeira vez. Isso até ela descobrir por acaso que aquela tira preta no final das meias sete oitavos coincidia com o lugar onde ficavam as suas marcas. Resultado, as meias sete oitavos se tornaram a sua marca registrada, e ela passou a se comportar de uma forma muito mais segura.
O que me leva a pensar sobre o punk rock. Porque analisando o que eu escrevi até agora, parece claro que antes de existir uma estética punk, um manifesto punk ou coisa que o valha, existia um bando de moleques com instrumentos ruins e que não sabiam tocar direito. Só que ao invés de ficarem choramingando, eles simplesmente sairam pra tocar por aí e se divertir com o que já sabiam, transformando o que poderia ser entendido como uma falha num tipo de opção estética.
Talvez uma das armadilhas em que todo mundo acabe caindo de vez em quando seja o excesso de planejamento, de elaboração. Na vontade de se aproximar da perfeição se esquece que muitas vezes a graça das coisas, o que faz com que elas se tornem especiais, esteja justamente nos detalhes charmosos, na falha, no defeito, no contratempo.
Máquinas não erram, seres humanos sim. E é a capacidade de errar que nos torna melhores.
(e muito mais interessantes também)
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12:54 AM
(e contrariando as expectativas daqueles que acharam que este Blog tinha ido desta pra melhor...)
A Música da Noite
AUTORAMAS - Eu não morri
Eu não morri, nnnnnão morri, eu juro pra vocês que eu não morri
Eu não morri, nnnnnão morri, se eu tivesse morrido não estaria aqui
Foi a melhor coisa que já me aconteceu
Foi a maior emoção que eu já conheci
E é tão bom poder estar aqui pra contar
Por essa eu não esperava, eu não morri
Eu não morri, nnnnnão morri, eu juro pra vocês que eu não morri
Eu não morri, nnnnnão morri, se eu tivesse morrido não estaria aqui
Quando alguém tem um sonho e o torna real
Uma idéia na cabeça e a sorte lhe sorri
Eu não posso acreditar que eu consegui
Eu não imaginava, eu não morri
e é um prazer poder estar aqui
isso é tudo o que eu sempre quis
eu não morri
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12:40 AM
Março 29, 2005
Banalizando
Quando se pensa numa cidade como São Paulo, o que vem a cabeça logo de cara são lugares comuns repetidos de forma exaustiva: a terra da garoa, a Avenida Paulista, engravatados apressados, engarrafamentos...
Não admitir a importância desses clichês seria tão pretencioso quanto imaginar que a cidade se encerra em cada um deles, afinal todo cartão postal que se preza esconde um outro lado onde a festa costuma ser muito mais animada, e diga-se de passagem, não tem hora pra terminar.
Poetas e putas, intelectuais e malandros, Cinema Novo e Pornochanchada, Jazz e Jovem Guarda, sociologia e rabos de galo. Diferentes lados da moeda, mas quem se importa? No final da noite todos vão se encontrar no último bar que ficou aberto, e depois da terceira rodada fica difícil distinguir quem é quem.
Em seu disco-manifesto de estréia, a banda Banalizando cozinha essas e muitas outras referências (musicais, visuais e etilicas) no seu caldeirão, e o resultado é um caldo grosso que escorre pelos ouvidos e convida a todos para uma farra daquelas.
Baixo, guitarra e bateria, um power trio clássico, mas espera aí, estamos mesmo falando de rock?
Se comparações servem de alguma coisa, o som dos caras pode ser enquadrado na praia de gente como o Martin, Medeski & Wood, trio inglês do começo dos 90 que está na ativa até hoje com o seu jazz dançante, cada vez mais distante do rótulo acid jazz, ou música de publicitário, como o termo ficou conhecido.
Mas estamos falando de um grupo paulistano por origem e devoção, que vai além da mistura jazz e funk para brincar com os ouvintes e passear por diversos estilos sem se associar a nenhum deles, incorporando elementos de rock, surf music, blues, disco, latinidades e mesmo drum and bass, numa música instrumental fortemente guiada pelo ritmo, com direito a inserções de cuica, flauta, congas e até um trecho de um filme marginal produzido na Boca do Lixo em 1976, num dos momentos chave de um disco que seria a trilha sonora ideal de um filme do Quentin Tarantino rodado no Centro velho de São Paulo.
Outro dia, ouvi numa conversa a banda definir o próprio trabalho como jazz para jovens. Se assim for, pelo menos por enquanto o jazz (e os jovens) estão salvos.
Para ouvir o trabalho dos caras, clique aqui
Ei, o meu rabo de galo acabou. Alguém a fim de mais uma rodada?
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1:46 AM
Março 6, 2005
Defeito
Quando entrei na Faculdade me impressionei logo de cara com algo que acontecia e continua acontecendo com uma frequência preocupante, que é a facilidade de se encontrar alguém desacordado, sendo carregado numa maca pra enfermaria. E o engraçado foi perceber como qualquer situação, por mais estranha que seja, passa a ser encarada com naturalidade depois de algum tempo.
No meu caso, alguns meses e muitas pessoas desmaiadas depois, passei a enxergar tudo do mesmo jeito que um analista do mercado de ações vê um monte de números. Afinal de contas, num lugar onde circula uma quantidade tão grande de pessoas todos os dias, nada mas normal do que acabar encontrando pelo caminho alguém que não tenha agüentado a sua cota diária de pressão e literalmente tenha desligado.
No fim somos todos vitimas da correria desenfreada dos tempos modernos, essa é a verdade: trabalhamos muito, dormimos pouco, nos divertimos menos ainda, nos irritamos a toa, nos alimentamos mal e quase não sobra tempo pra sonhar.
Ficamos horas na frente de um computador, queimando nossas retinas, nossos neurônios e nossa paciência. Entramos e saimos o tempo todo de ambientes acarpetados com sistemas de ar condicionado, ou seja, lugares frios, secos e cheios de ácaros.
O resultado dessa mistura é o que alguns pesquisadores andam chamando de doenças de escritório, e os sintomas são estranhamente familiares. Uma leve dor de cabeça que nunca passa, problemas no estômago, na garganta e dificuldades pra dormir, transformando as bolsas de muita gente em farmacias ambulantes, cheias de remédios contra enxaqueca, antiácidos, pastilhas pra garganta e capsulas de ginseng.
Sou um idealista por natureza, e por isso mesmo gosto de pensar que assim como num episódio dos Jetsons, a principal idéia por trás da tecnologia seja construir maquinas que nos poupem do trabalho pesado. Mas de alguma forma a lógica se inverteu, e hoje parece que se trabalha pra chegar no mesmo nivel de produtividade de uma maquina. O problema é que quando uma maquina quebra, você leva na assistência técnica e troca uma peça, pronto. Mas e quando uma pessoa quebra, o que fazer?
A resposta eu não conheço, mas os reflexos disso estão por todos os lados, é só prestar atenção. Gente desmaiando dentro de Faculdades. Discussões sem sentido no meio do trânsito. Munhequeiras e tensores de antebraço se transformando em acessórios fashion. Lesões por esforço repetitivo. Stress.
E se alguém se identificou com alguns dos sintomas apresentados aqui, saiba que eu estou torcendo pra você não ser a próxima engrenagem que vai apresentar defeito. Porque até onde eu saiba, quando se trata de gente, sai bem mais em conta comprar uma peça nova do que consertar uma antiga.
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10:32 PM
Fevereiro 14, 2005
A História do Fanzine
Em primeiro lugar, em nenhum momento esse texto pretende se prestar ao papel de estudo acadêmico, tese de mestrado ou qualquer outro formato de pesquisa. Dito isso, livro minha cara e posso me concentrar em escrever um material repleto de informações pela metade, achismos, opiniões e preconceitos dos mais diversos.
Se tentarmos buscar uma definição genérica para os Fanzines, vamos chegar em algo como publicação de tiragem pequena, de pouco ou nenhum compromisso profissional, voltada para um tipo especifico de leitor. Em outras palavras, é um negócio que você faz por amor, sem dinheiro, e que vai ser lido por pessoas muito parecidas com você.
A origem do termo Fanzine já é bastante explicativa. É a união das palavras fanatic (fã) e magazine (revista), e foi criada por Russ Chauvenet em 1941 para definir as revistas artesanais que começaram a aparecer nos Estados Unidos a partir da década de 30. Esses materiais eram produzidos de forma amadora, tinham um acabamento precario, tiragem muito pequena e eram basicamente adquiridos via correio com o próprio "editor". Os primeiros Fanzines tratavam de informações sobre ficção ciêntifica, e eram um veiculo de comunicação entre os aficcionados pelo assunto.
(Nerds trancados em seus quartos, se comunicando por cartas uns com os outros, usando sua obssessão por algum assunto fora dos padrões como valvula de escape para os seus problemas de timidez. Engraçado pensar que as coisas não mudaram muito de 1930 pra cá)
Só que olhando pra trás podemos encontrar toda uma arvore genealógica do Fanzine.Talvez o seu antepassado mais distante sejam as revistas literárias. Esse tipo de material era normalmente produzido por artistas que não encontravam espaço dentro dos segmentos mais tradicionais para mostrar um trabalho de cunho mais autoral. O negócio funcionava num esquema de cooperativa, envolvendo poetas, cronistas e artistas plásticos amigos criando o projeto grafico. A produção era artesanal, a tiragem era pequena, e o lucro estava em ultimo lugar na lista de objetivos. Revistas literarias continuam a circular por aí até os dias de hoje inclusive, quase como um irmão mais velho dos Zines.
Um outro antepassado dos Fanzines são os Jornais de Sindicatos. Nesse tipo de trabalho chegamos perto das caracteristicas da maioria dos Fanzines. Algum tipo de "compromisso ideológico" (seja ele qual for), um certo tipo de sentimento de classe e a idéia de "espalhar" uma mensagem ao maior numero possivel de pessoas, com as ferramentas que se tem a mão.
E tentando chegar numa conclusão, muito mais do que um veiculo de informação, o Fanzine é um veiculo de expressão. Ele é o contraponto das revistas que qualquer um pode comprar nas bancas, e seu unico compromisso real é satisfazer a equipe que o criou, equipe essa muitas vezes formada por uma unica pessoa.
E como já dizia aquela velha máxima punk, não odeie a midia, seja a sua própria midia. Para os que não tem muita intimidade com cola e tesoura, as facilidades dos computadores e a Internet estão aí pra isso, lembrando que esse espaço virtual não deixa de ser um zine de certa forma, e como o próprio slogan diz, está a serviço da satisfação pessoal do editor (eu).
Agora procure a satisfação pessoal você também.
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12:53 AM
Fevereiro 1, 2005
O Fator Bigmac
Como toda pessoa que pensa demais e tem algum tempo livre, gosto de desenvolver teorias sobre qualquer coisa. Na maior parte das vezes costumo partir do nada para chegar em lugar nenhum, o que me deixa em pé de igualdade com a maioria das articulistas da Folha da São Paulo, com a diferença óbvia de que eles são muito bem pagos pelo ócio criativo, enquanto eu fielmente aguardo a minha chance de ganhar uns bons trocados para descer o pau em qualquer coisa de que eu não goste, de dias chuvosos a mulheres gordas carregando sacolas de feira.
Mas voltando a questão das teorias, umas das melhores da minha coleção é o fator Bigmac, estudo sociológico picareta que pretendo publicar um dia, baseado em profundas observações a respeito da dieta alimentar da galera sem grana.
Quando eu era moleque, e juro que isso não faz muito tempo, nada era mais comum do que encontrar de segunda a sexta todos os MacDonalds do Centrão de São Paulo lotados de office boys, mandando ver em Bigmacs sempre menores do que aquilo que se vê na propaganda, copos cheios de gelo e quase nada de refrigerante e porções grandes e gordurosas de batatas fritas com gosto de isopor.
De lá pra cá, muita coisa mudou. Em primeiro lugar, os office boys estão quase extintos, e não foi por causa de sua alimentação tosca, e sim devido as exigências do Mercado, que encheu as ruas da cidade de sujeitos apressados, bigodinhos bizarros e motos caindo aos pedaços. Gostando ou não da idéia, os motoboys tomaram o lugar dos office boys, e o que se pode pensar a respeito é que no minimo os salários melhoraram, já que contratar um adulto com carteira de habilitação e uma moto velha deve ser mais caro do que contratar um adolescente que só pensa em marcas de tenis e fliperamas.
Então por não encontramos um motoboy que seja esperando na fila pra pedir o famigerado número um?
A resposta é simples, nos ultimos 15 anos os salários dos trabalhos peões foram lá pra baixo, e o que antes podia ser chamado de povão, hoje é altamente classe média, que também não anda bem das pernas faz bastante tempo, diga-se de passagem. No fim, os motoboys acabaram se tornando a mola principal do comércio informal de comidas toscas, churrascos gregos, salgados dentro de caixas de isopor e hot dogs de Vans.
Não morro de amores por nenhuma rede de fast food gringa (talvez o KFC, e só), mas a questão aqui é o que se podia comprar antes e o que se pode comprar hoje, e viver numa realidade em que comer um sundae se tornou um luxo é foda.
A lógica do capitalismo diz que se tem dinheiro para gastar com um monte de coisas de que não se precisa. Mas e quando a maioria das pessoas não tem grana pra gastar com as coisas mais simples?
Me parece que algo fugiu do controle no meio do caminho...
posted by André |
1:32 AM
Janeiro 17, 2005
Pessimistas
Sobre fé, se levarmos em consideração que a idéia por trás da palavra é simplesmente acreditar em alguma coisa, gostaria de levantar uma questão: tem gente que acredita em Deus, em destino, no Jornal das 8, em gnomo...enfim, existem crenças pra todos os gostos. A principio não existem confirmações fisicas de nada do que eu citei acima (nem do jornal das 8, acredite).
Então se as pessoas acreditam com tanta força no que não se pode ver, sentir ou tocar, porque elas não podem acreditar em si mesmas?
Eu sei, o argumento é simplório, mas na verdade essa é uma questão bastante simples, e tenho certeza que afeta a todos, porque eu não vou tirar o corpo fora e me fazer de gostoso dizendo que eu nunca me senti a mais rasteira das criaturas vez por outra. Aliás, talvez eu até tenha sentido mais vezes do que era realmente necessário, e é aí que mora o perigo.
Tem gente que se torna especialista em se sabotar. Todo mundo conhece o tipo, normalmente a pessoa anda por aí meio curvada, os ombros baixos, aquela expressão de quem comeu, não gostou e ainda repetiu. E as roupas?
Isso é um caso a parte. Independente de gosto pessoal, tem gente que parece escolher as roupas que menos combinam com elas mesmas de propósito, talvez como uma forma de mostrar que se a falta de alto estima vem de dentro, ela pode deixar a parte de fora bem ruim também.
Mas triste mesmo é quando o sujeito abre a boca. Prepare-se porque vai começar o pior enredo de novela mexicana já escrito, com direito a relacionamentos que não dão certo, falta de grana, doenças que são tratadas mas nunca somem de vez, e por aí vai...
Nem todo mundo tem uma vida boa, admito, e ainda existem aquelas pessoas especiais que conseguem fazer piada com a própria desgraça, mas nenhum dos exemplos se encaixam nos pessimistas de plantão, porque muitos desses caras na verdade sentem um prazer quase mórbido de sempre se fazerem de vitimas.
Se você é uma dessas pessoas, meu conselho é um só: levante a cabeça, respire fundo e vá se tratar. Mas se você tem algum amigo com esse problema, o conselho é outro. Ouça tudo o que o sujeito tem pra dizer e depois responda com naturalidade que ele realmente deve ser a pessoa com a vida mais miseravel em todo esse mundo.
Não resolve problema nenhum, mas no minimo vai fazer o nuvem preta procurar outra pessoa pra perturbar.
posted by André |
1:35 AM
Janeiro 9, 2005
Tsunami
E mais um ano começa, enquanto todo mundo ainda está pensando que a realidade pode ser muito mais chocante do que qualquer filme catástrofe de Hollywood.
Ondas gigantes, terremotos, ilhas mudando de lugar, tornados, milhares de mortos. A natureza parece enlouquecida, mas talvez esteja tentando nos dizer que não estamos cumprindo direito o nosso papel de zeladores do mundo.
De qualquer forma, isso pouco importa, porque no fim o que sobrou foi um monte de gente que pagou o pato sem ter muito a ver com a história. Duvido que no meio de tantos mortos esteja algum presidente de uma multinacional que está contribuindo para o aumento da temperatura global ou coisa do gênero.
Essa tragédia também serve pra se pensar um pouco sobre quais são as prioridades na politica de alguns países. Os USA torraram uma quantidade indecente de dinheiro (e continuam torrando!) com a palhaçada no Iraque, gastam ainda mais grana na pesquisa de novos armamentos e anunciaram um envio ridiculo de dinheiro para as vitimas do maremoto. Enfim, se gasta um dinheirão para se tratar de morte, mas quando o assunto é salvar vidas...
2005 começa marcado por isso, mas é sempre bom lembrar que são nos momentos de maior crise que aparecem as oportunidades de se mostrar maior, mais forte e mais solidário. Dizem que as vezes é preciso que uma merda bem grande aconteça pra que as pessoas possam se unir em torno de uma idéia em comum.
Não se pode fazer mais nada por quem já morreu, mas se pode fazer muita coisa por quem só não perdeu a vida, seja com dinheiro, doações, ou simplesmente bons pensamentos.
Faça a sua parte. Eu tentei fazer a minha escrevendo esse texto.
posted by André |
6:38 PM
Dezembro 19, 2004
Há muito tempo, numa galáxia muito distante...
...alguém estava escrevendo testando, 1,2,3, não pensando em nada além de tirar uma onda. Agora adiantamos o filme para dezembro de 2004, mês em que esse humilde espaço aberto sem maiores pretenções está completando um ano de atividades (mais ou menos) constantes.
Incrivel, um ano no ar! Doze meses de achismos diversos, teorias furadas, pseudojornalismo, enfim, tudo aquilo que costuma preencher os blogs de gente que tenta se enganar achando que não está fazendo um diário virtual.
Porque é obvio que tudo o que foi escrito por aqui refletiu meus estados de espirito, fossem eles bons ou ruins, estivessem eles falando ou não a meu respeito. Afinal de contas, um texto que eu escreva a respeito de qualquer asssunto não passa da minha opinião sobre ele, e desse jeito esse lugar se tornou meio sem querer um mapa de algumas coisas que andaram habitando minha cabeça por esses tempos confusos, onde vimos a releição do filho da puta mor George W(c) Bush, a morte do Arafat, o fim do RZO, a febre do Orkut entre varias outras esquisitices que só conseguiremos lembrar depois de ler uma daquelas revistas de retrospectiva do ano.
Mas voltando ao recém completado primeiro ano de vida do blog, fica aqui o meu agradecimento a todos que por algum motivo obscuro encontraram esse amontoado de idéias desordenadas e resolveram parar por alguns minutos para tentar entender do que se tratava. De admiradoras secretas a inimigos declarados, passando por amigos e desconhecidos, o publico foi bastante variado.
Legal também perceber que quando esse blog começou ele nem mesmo tinha sessão de links, e hoje em dia a coluna lateral é uma verdadeira coleção de sites, blogs e flogs de amigos, alguns deles até mesmo inspirados no meu trabalho, que se de original não tem nada, pelo menos mostrou para algumas pessoas que mais importante do que ter talento é ter vontade em fazer, lembrando que um pouco de cara de pau não faz mal pra ninguém.
E que venham os próximos doze meses!
posted by André |
6:14 PM
Dezembro 6, 2004
Antecipações
O futuro é agora, e eu não estou nada satisfeito. Nem um pouco.
De todas as previsões que eu fiz sobre 2004 quando tinha 10 anos, nenhuma se realizou. Os alienigenas não fizeram contato, e nem disseram levem-nos ao seu líder. Não alcançamos a paz mundial. A PM não usa armas laser. Não tem ninguém morando na Lua. Não andamos em carros voadores com um tampão de vidro, como os Jetsons.
Muito pelo contrário, o Silvio Santos continua a apresentar programas de televisão (que não é holográfica), o Maluf ainda está na política (e não é um clone), não encontraram a cura para o pé de atleta e os americanos ainda acham que a capital do Brasil é Bueno Aires.
Enfim, tudo continua numa normalidade...maçante.
Talvez um dos maiores problemas do bicho homem seja o excesso de expectativas. A humanidade alcançou uma série de realizações fantásticas nos ultimos 18 anos (dos videogames a Liv Tyler, aconteceu de tudo), mas ainda assim vejo a coisa de má vontade, já que imaginava o futuro de uma maneira muito mais brilhante.
Usei como exemplo minha previsões furadas de infância sobre o futuro, mas todo mundo se frustra por antecipação o tempo inteiro, no trabalho, nos relacionamentos...não deixa de ser engraçado, temos problemas em lidar com a realidade nua e crua, e idealizamos as situações.
O que me faz pensar em como acabamos caindo num radicalismo simplista. Num momento o novo emprego era perfeito, a chance de ouro. Depois ele se transforma na maior roubada de todas, como eu fui cair nessa? E os exemplos todos caminham nesse sentido.
Não querendo bancar o zen budista de plantão, mas talvez as chances de ouro não sejam tão douradas assim, do mesmo jeito que sempre se pode tirar alguma lição de uma roubada. No sentido figurado, não acredito que existam bruxas ou princesas, apenas pessoas, capazes de praticar os gestos mais nobres, e logo em seguida cometerem as maiores cagadas.
No fim tudo vale como experiência, afinal todo mundo sabe que a gente está por aqui pra acumular pontos de milhagem e aumentar o currículo. E o que acontece depois?
Sei lá, ninguém que eu conheça voltou pra me contar...
posted by André |
12:08 AM
Novembro 14, 2004
Arena
Fliperamas, uma das maneiras que o homem contemporâneo encontrou para aliviar a tensão.
Jogos eletrônicos já fazem parte do nosso dia a dia há um bom tempo. Eles estão no computador da empresa que você trabalha, nos celulares, no videogame velho que você tem encostado em casa. Mas apesar disso, fliperamas não costumam ser o tipo de lugar em que qualquer um possa ir. Não estou falando desses fliperamas que ficam dentro de shoppings, esses até a minha mãe freqüentaria. Estou me referindo a lugares mais específicos.
Um exemplo desses lugares é um fliperama aqui de São Paulo, que fica no Centro da Cidade. Apareça por lá no horário de almoço, ou depois das seis. Com certeza você vai encontrar alguns sujeitos engravatados que depois de um dia típico de trabalho estão se divertindo atirando em qualquer coisa que se mexa num daqueles simuladores de tiro, ou estão espancando quem eles encontrarem pela frente, nos jogos de luta.
Você também vai encontrar bandos de garotos barulhentos usando uniforme de escola, office-boys e alguns malacos. Encontrar uma mulher é raro. O fliperama garante a trilha sonora, com o som sintonizado na radio rock do momento, onde a musica mais pedida costuma ser alguma banda cantando umas baixarias sobre mulher. Pra completar o cenário, painéis de futebol e basquete, e um telão sempre pronto pra transmitir um jogo importante.
O cheiro de testosterona se mistura com o de cerveja, refrigerante e suor. É bem pior que o cheiro de um vestiário de futebol, afinal lugares como estádios ou botecos já foram descobertos pelas mulheres. Já os fliperamas continuam território inexplorado.
Imagino que algumas devam ficar com dor de cabeça depois de alguns minutos dentro de um, e saiam sem entender que graça um monte de marmanjo vê em ficar enfurnado lá dentro, cercados por aquele monte de maquinas barulhentas.
Talvez os fliperamas tenham uma outra função além de extravasar a violência reprimida do cotidiano. Talvez eles ensinem algum tipo de lei silenciosa. Tenho um amigo que trabalha num cargo de chefia de uma grande empresa. Numa noite num barzinho, ele me disse que pra conseguir chegar onde está, foi preciso que ele desenvolvesse um tipo de instinto assassino. Ele disse que dentro do ambiente de trabalho muitas vezes não existe espaço para delicadezas, e que se você tiver que atacar, não tem que ser para machucar de leve. Que quando se enfia a faca em alguém, tem que se girar ela por dentro, pra aumentar o estrago. Nessa hora não parecia que eu estava falando com o meu amigo, parecia que eu tinha acabado de encontrar um personagem desses jogos de luta, brincando de ser executivo.
Existe uma velha frase que diz que a crueldade se aprende na infância, e naquele momento ela me pareceu fazer bastante sentido. Mulheres não freqüentam fliperamas, não brincam de policia e bandido, e nem se divertem vendo filmes de Kung fu. Elas também não costumam se dar tão bem quanto homens em ambientes corporativos mais violentos. Talvez esteja faltando pra elas o cursinho preparatório.
posted by André |
10:47 PM
Outubro 30, 2004
A vitória do bom senso
Nota: esse texto tem caráter político. Se você não tem paciência pra esse tipo de coisa, volte aqui outro dia. Mas caso você se interesse pelo assunto, seja bem vindo.
Acho que a maioria das pessoas que passam por aqui já ouviram falar de uma garota chamada Sonia Francine, mais conhecida como Soninha.
Ex Vj da Mtv, apresentadora do finado RG, programa bacana que era exibido pela TV Cultura, jornalista, budista e antes de tudo, uma pessoa acima de qualquer suspeita, Soninha é uma daquelas pessoas cada vez mais raras hoje em dia, alguém que se preocupa com algo além do próprio umbigo.
Conheço a moça de vista, algumas conversas muito rápidas e alguns e-mails, esses aliás, com correrias das mais diversas: doação de brinquedos usados, trabalho voluntário, ajuda as vítimas de enchentes...
Lembrando que recebi essas coisas numa época em que nem passava pela cabeça da Soninha concorrer a um cargo político. Lembrando que apesar de estar envolvida com uma série de movimentos sociais de uma forma séria, ela não usou em nenhum momento da campanha essas informações como propaganda.
Cheguei a conversar com alguns amigos de dentro do PT na época da campanha, e as críticas eram as piores possíveis. O partido esperneava da falta de visibilidade da campanha. Onde estavam os banners, cartazes, carreatas?
Diziam que ninguém ficaria sabendo que a Soninha era candidata se ela não fizesse o que é lugar comum para todos os candidatos, ou seja, encher a cidade de lixo, porque independente de se concordar com isso ou não, é desse jeito que se faz uma campanha, e ponto final.
Mas na contramão de toda essa conversa, a Soninha investiu numa campanha limpa, com pouco material publicitário e muito contato com as pessoas. Foi nas Faculdades, conversou com líderes comunitários, promoveu shows bacanas, contratou grafiteiros para pensar no visual da campanha, usou a Internet, e no fim se elegeu como uma das vereadoras mais votadas da cidade, desbancando algumas velhas raposas que diziam que ela era a candidata dos maconheiros.
Espero que esse episódio tenha servido de lição para que se entenda de uma vez por todas que uma boa campanha não se faz com grandes gastos, e sim com grandes idéias. E que venham mais campanhas inteligentes, limpas e compremetidas com propostas sérias.
Enquanto escrevia esse texto, infelizmente saiu a confirmação de que um das filhas da Soninha está com Leucemia. Como se os problemas que um vereador honesto tem que encarar já não fossem poucos. Pensei em terminar esse texto desejando sorte, mas pensando melhor, não acho que seja necessário.
Sorte é um negócio muito vago, e o que eu tenho é a confiança e a certeza de que no fim vai tudo ficar numa boa.
Quebra tudo Soninha!
posted by André |
4:13 PM
Outubro 14, 2004
Alto mar
Quando estou voltando de algum lugar durante a madrugada, gosto de aproveitar a chance e fazer um passeio pelas ruas vazias.
Eu sempre gostei de andar a noite, e as ruas escuras e silenciosas são um convite pra colocar as idéias em ordem, e divagar um pouco antes de comer alguma coisa e dormir. Nem que sejam 5 minutos, já é o suficiente pra ficar mais relaxado, e descobrir os detalhes que se deixa escapar andando pelos mesmos lugares durante o dia. Andando devagar, sem a pressa habitual de quem vive em São Paulo. Prestando atenção em como se respira.
Durante essas caminhadas, em alguns momentos eu chego a deixar de olhar pra frente, e começo a me guiar pelas luzes dos postes, me imaginando como uma espécie de náufrago, perdido num oceano escuro, e encontrando o caminho de casa graças a uma fileira de bóias de luz. Porque as vezes é isso que as luzes dos postes parecem ser nas noites pouco estreladas daqui: bóias de luz, flutuando no meio do vazio.
Penso nos tempos das caravelas, quando o principal instrumento dos barcos eram mapas baseados em estrelas, e me pergunto se não somos todos navegantes nos mares do Destino.
Os navegadores tinham que distinguir quais as estrelas eles deveriam seguir no meio de todas as outras, assim como nossas vidas estão repletas de possibilidades, de caminhos pra seguir. Nem todos estão certos. Nem todos nos levam pra onde gostaríamos de ir.
Mas mesmo assim nós continuamos, mesmo porque não existe uma maneira de permanecer parado.
Ou você faz a sua rota, ou a maré acaba te levando.
posted by André |
1:52 AM
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