Outubro 30, 2004
A vitória do bom senso
Nota: esse texto tem caráter político. Se você não tem paciência pra esse tipo de coisa, volte aqui outro dia. Mas caso você se interesse pelo assunto, seja bem vindo.
Acho que a maioria das pessoas que passam por aqui já ouviram falar de uma garota chamada Sonia Francine, mais conhecida como Soninha.
Ex Vj da Mtv, apresentadora do finado RG, programa bacana que era exibido pela TV Cultura, jornalista, budista e antes de tudo, uma pessoa acima de qualquer suspeita, Soninha é uma daquelas pessoas cada vez mais raras hoje em dia, alguém que se preocupa com algo além do próprio umbigo.
Conheço a moça de vista, algumas conversas muito rápidas e alguns e-mails, esses aliás, com correrias das mais diversas: doação de brinquedos usados, trabalho voluntário, ajuda as vítimas de enchentes...
Lembrando que recebi essas coisas numa época em que nem passava pela cabeça da Soninha concorrer a um cargo político. Lembrando que apesar de estar envolvida com uma série de movimentos sociais de uma forma séria, ela não usou em nenhum momento da campanha essas informações como propaganda.
Cheguei a conversar com alguns amigos de dentro do PT na época da campanha, e as críticas eram as piores possíveis. O partido esperneava da falta de visibilidade da campanha. Onde estavam os banners, cartazes, carreatas?
Diziam que ninguém ficaria sabendo que a Soninha era candidata se ela não fizesse o que é lugar comum para todos os candidatos, ou seja, encher a cidade de lixo, porque independente de se concordar com isso ou não, é desse jeito que se faz uma campanha, e ponto final.
Mas na contramão de toda essa conversa, a Soninha investiu numa campanha limpa, com pouco material publicitário e muito contato com as pessoas. Foi nas Faculdades, conversou com líderes comunitários, promoveu shows bacanas, contratou grafiteiros para pensar no visual da campanha, usou a Internet, e no fim se elegeu como uma das vereadoras mais votadas da cidade, desbancando algumas velhas raposas que diziam que ela era a candidata dos maconheiros.
Espero que esse episódio tenha servido de lição para que se entenda de uma vez por todas que uma boa campanha não se faz com grandes gastos, e sim com grandes idéias. E que venham mais campanhas inteligentes, limpas e compremetidas com propostas sérias.
Enquanto escrevia esse texto, infelizmente saiu a confirmação de que um das filhas da Soninha está com Leucemia. Como se os problemas que um vereador honesto tem que encarar já não fossem poucos. Pensei em terminar esse texto desejando sorte, mas pensando melhor, não acho que seja necessário.
Sorte é um negócio muito vago, e o que eu tenho é a confiança e a certeza de que no fim vai tudo ficar numa boa.
Quebra tudo Soninha!
posted by André |
4:13 PM
Outubro 14, 2004
Alto mar
Quando estou voltando de algum lugar durante a madrugada, gosto de aproveitar a chance e fazer um passeio pelas ruas vazias.
Eu sempre gostei de andar a noite, e as ruas escuras e silenciosas são um convite pra colocar as idéias em ordem, e divagar um pouco antes de comer alguma coisa e dormir. Nem que sejam 5 minutos, já é o suficiente pra ficar mais relaxado, e descobrir os detalhes que se deixa escapar andando pelos mesmos lugares durante o dia. Andando devagar, sem a pressa habitual de quem vive em São Paulo. Prestando atenção em como se respira.
Durante essas caminhadas, em alguns momentos eu chego a deixar de olhar pra frente, e começo a me guiar pelas luzes dos postes, me imaginando como uma espécie de náufrago, perdido num oceano escuro, e encontrando o caminho de casa graças a uma fileira de bóias de luz. Porque as vezes é isso que as luzes dos postes parecem ser nas noites pouco estreladas daqui: bóias de luz, flutuando no meio do vazio.
Penso nos tempos das caravelas, quando o principal instrumento dos barcos eram mapas baseados em estrelas, e me pergunto se não somos todos navegantes nos mares do Destino.
Os navegadores tinham que distinguir quais as estrelas eles deveriam seguir no meio de todas as outras, assim como nossas vidas estão repletas de possibilidades, de caminhos pra seguir. Nem todos estão certos. Nem todos nos levam pra onde gostaríamos de ir.
Mas mesmo assim nós continuamos, mesmo porque não existe uma maneira de permanecer parado.
Ou você faz a sua rota, ou a maré acaba te levando.
posted by André |
1:52 AM
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