Fevereiro 14, 2005
A História do Fanzine
Em primeiro lugar, em nenhum momento esse texto pretende se prestar ao papel de estudo acadêmico, tese de mestrado ou qualquer outro formato de pesquisa. Dito isso, livro minha cara e posso me concentrar em escrever um material repleto de informações pela metade, achismos, opiniões e preconceitos dos mais diversos.
Se tentarmos buscar uma definição genérica para os Fanzines, vamos chegar em algo como publicação de tiragem pequena, de pouco ou nenhum compromisso profissional, voltada para um tipo especifico de leitor. Em outras palavras, é um negócio que você faz por amor, sem dinheiro, e que vai ser lido por pessoas muito parecidas com você.
A origem do termo Fanzine já é bastante explicativa. É a união das palavras fanatic (fã) e magazine (revista), e foi criada por Russ Chauvenet em 1941 para definir as revistas artesanais que começaram a aparecer nos Estados Unidos a partir da década de 30. Esses materiais eram produzidos de forma amadora, tinham um acabamento precario, tiragem muito pequena e eram basicamente adquiridos via correio com o próprio "editor". Os primeiros Fanzines tratavam de informações sobre ficção ciêntifica, e eram um veiculo de comunicação entre os aficcionados pelo assunto.
(Nerds trancados em seus quartos, se comunicando por cartas uns com os outros, usando sua obssessão por algum assunto fora dos padrões como valvula de escape para os seus problemas de timidez. Engraçado pensar que as coisas não mudaram muito de 1930 pra cá)
Só que olhando pra trás podemos encontrar toda uma arvore genealógica do Fanzine.Talvez o seu antepassado mais distante sejam as revistas literárias. Esse tipo de material era normalmente produzido por artistas que não encontravam espaço dentro dos segmentos mais tradicionais para mostrar um trabalho de cunho mais autoral. O negócio funcionava num esquema de cooperativa, envolvendo poetas, cronistas e artistas plásticos amigos criando o projeto grafico. A produção era artesanal, a tiragem era pequena, e o lucro estava em ultimo lugar na lista de objetivos. Revistas literarias continuam a circular por aí até os dias de hoje inclusive, quase como um irmão mais velho dos Zines.
Um outro antepassado dos Fanzines são os Jornais de Sindicatos. Nesse tipo de trabalho chegamos perto das caracteristicas da maioria dos Fanzines. Algum tipo de "compromisso ideológico" (seja ele qual for), um certo tipo de sentimento de classe e a idéia de "espalhar" uma mensagem ao maior numero possivel de pessoas, com as ferramentas que se tem a mão.
E tentando chegar numa conclusão, muito mais do que um veiculo de informação, o Fanzine é um veiculo de expressão. Ele é o contraponto das revistas que qualquer um pode comprar nas bancas, e seu unico compromisso real é satisfazer a equipe que o criou, equipe essa muitas vezes formada por uma unica pessoa.
E como já dizia aquela velha máxima punk, não odeie a midia, seja a sua própria midia. Para os que não tem muita intimidade com cola e tesoura, as facilidades dos computadores e a Internet estão aí pra isso, lembrando que esse espaço virtual não deixa de ser um zine de certa forma, e como o próprio slogan diz, está a serviço da satisfação pessoal do editor (eu).
Agora procure a satisfação pessoal você também.
posted by André |
12:53 AM
Fevereiro 1, 2005
O Fator Bigmac
Como toda pessoa que pensa demais e tem algum tempo livre, gosto de desenvolver teorias sobre qualquer coisa. Na maior parte das vezes costumo partir do nada para chegar em lugar nenhum, o que me deixa em pé de igualdade com a maioria das articulistas da Folha da São Paulo, com a diferença óbvia de que eles são muito bem pagos pelo ócio criativo, enquanto eu fielmente aguardo a minha chance de ganhar uns bons trocados para descer o pau em qualquer coisa de que eu não goste, de dias chuvosos a mulheres gordas carregando sacolas de feira.
Mas voltando a questão das teorias, umas das melhores da minha coleção é o fator Bigmac, estudo sociológico picareta que pretendo publicar um dia, baseado em profundas observações a respeito da dieta alimentar da galera sem grana.
Quando eu era moleque, e juro que isso não faz muito tempo, nada era mais comum do que encontrar de segunda a sexta todos os MacDonalds do Centrão de São Paulo lotados de office boys, mandando ver em Bigmacs sempre menores do que aquilo que se vê na propaganda, copos cheios de gelo e quase nada de refrigerante e porções grandes e gordurosas de batatas fritas com gosto de isopor.
De lá pra cá, muita coisa mudou. Em primeiro lugar, os office boys estão quase extintos, e não foi por causa de sua alimentação tosca, e sim devido as exigências do Mercado, que encheu as ruas da cidade de sujeitos apressados, bigodinhos bizarros e motos caindo aos pedaços. Gostando ou não da idéia, os motoboys tomaram o lugar dos office boys, e o que se pode pensar a respeito é que no minimo os salários melhoraram, já que contratar um adulto com carteira de habilitação e uma moto velha deve ser mais caro do que contratar um adolescente que só pensa em marcas de tenis e fliperamas.
Então por não encontramos um motoboy que seja esperando na fila pra pedir o famigerado número um?
A resposta é simples, nos ultimos 15 anos os salários dos trabalhos peões foram lá pra baixo, e o que antes podia ser chamado de povão, hoje é altamente classe média, que também não anda bem das pernas faz bastante tempo, diga-se de passagem. No fim, os motoboys acabaram se tornando a mola principal do comércio informal de comidas toscas, churrascos gregos, salgados dentro de caixas de isopor e hot dogs de Vans.
Não morro de amores por nenhuma rede de fast food gringa (talvez o KFC, e só), mas a questão aqui é o que se podia comprar antes e o que se pode comprar hoje, e viver numa realidade em que comer um sundae se tornou um luxo é foda.
A lógica do capitalismo diz que se tem dinheiro para gastar com um monte de coisas de que não se precisa. Mas e quando a maioria das pessoas não tem grana pra gastar com as coisas mais simples?
Me parece que algo fugiu do controle no meio do caminho...
posted by André |
1:32 AM
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midilands@yahoo.com.br
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